terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Quero beber minha própria água

Nunca pensei que copos com água tivessem alguma relação com independência e auto-realização, até conversar com uma amiga/irmã querida, essa pessoa me fez pensar a respeito dessas entidades tão nossas conhecidas. Água, copos, independência...

Quando era criança e estava sentindo sede, pedia para que minha mãe ou alguém alcançasse o filtro e me desse um copo com água. Não alcançava sozinho o filtro, precisava que alguém dotado da habilidade "pegar um copo com água" me ajudasse. Era tão bom ter alguém por perto quando tinha sede, mas quando eu estava sozinho, ficavam eu, meu pensamento, minha sede e o filtro soberano em sua prateleira de mármore incrustada na parede, como era costume na minha infância. Filtros estavam sempre fora do alcance das crianças. Alcançar o filtro era sinal de que havia crescido. Pronto agora posso beber minha água! Que felicidade, poder saciar a própria sede.

Tenho tanta sede, não de água ( essa aprendi a saciar, apesar de continuar pequeno...), sede de amor, realização profissional e etc. Ainda tenho a possibilidade de pedir para alguém mais capaz que eu, contudo, se abro mão do trabalho de pegar minha própria água, abro mão de minha independência, minha felicidade. Será sempre o outro responsável por saciar minha sede. Não controlo o outro, ele é que me controla nesse tipo de relação. Alcançar o filtro é sinônimo de crescimento, não cresço se não alcanço. Contudo, à medida que me esforço em saciar minhas "sedes", adquiro experiência, brilho e tenho minhas histórias para contar.

Plagiando a música "Você tem sede de que? Você tem fome de que?". Não basta querer e esperar que alguém sacie a sua sede, você pode esperar, tem esse direito, mas poder saciar a própria sede é poder ser independente, construir sua história sem apoiar-se nos outros.

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